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Líderes da base aliada negociam recriação da CPMF com
alíquota de 0,10%
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Os líderes dos partidos que apóiam o governo definiram nesta
terça-feira uma proposta de recriação da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira) com uma alíquota
de 0,10%. A Folha Online apurou que a decisão foi
tomada hoje durante reunião na casa do líder do PTB na
Câmara, Jovair Arantes (GO).
O argumento dos aliados é que recriar a CPMF é a única forma
de garantir recursos para a execução da emenda 29, que
destina mais recursos para a saúde, cuja votação está
prevista para a próxima semana. Mas interlocutores
informaram que há dúvidas sobre o instrumento regimental que
deve ser utilizado para encaminhar a decisão dos líderes.
A Folha Online apurou que por pressão do PT há um
esforço para que a CPMF seja recriada por lei complementar.
No entanto, juristas tentam encontrar uma solução que evite
a inconstitucionalidade pois lei complementar deve ser uma
iniciativa do executivo e não do legislativo.
A orientação dos aliados é para que a solução técnica seja
apresentada até o final desta semanaindependentemente do
feriado de Corpus Christi. Interlocutores que participaram
da reunião afirmaram ainda que a outra alternativa sugerida
é para que a proposta de recriação da CPMF seja apresentada
via substitutivo à emenda 29.
Bastidores
Assim que a solução jurídica for apresentada para sugerir a
recriação da CPMF, os líderes dos partidos da base decidiram
que vão assinar em conjunto como responsáveis pela proposta.
Na prática isso impedirá que um ou outro partido seja
criticado pela paternidade de uma idéia pouco simpática, que
é dar vida a um novo imposto.
Mas com receio que a solução técnica não seja a desejada
pela base, que é autorizar o próprio legislativo a sugerir a
recriação da CPMF, os aliados decidiram que vão apelar ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em conversa conjunta
irão até o presidente pedir que o governo envie uma proposta
sugerindo o novo imposto.
Essas negociações estão sendo articuladas sem alarde para
evitar a pressão da oposição e novos obstáculos às
alternativas apresentadas. Durante a reunião de hoje foi
descartada ainda a idéia de enviar a recriação da CPMF via
emenda constitucional. É que uma PEC (proposta de emenda
constitucional) tem de necessariamente ser submetida à
votação no Senado onde o governo teme rejeição, como ocorreu
em dezembro quando os senadores rejeitaram a manutenção da
CPMF.
Orientação
Ontem durante a reunião de coordenação política, Lula
determinou que o Congresso se responsabilize pela recriação
da CPMF. O ministro José Múcio Monteiro (Relações
Institucionais) foi o responsável para transmitir o recado à
base aliada. O discurso é que só com fontes de recursos bem
definidas será possível por em prática o que determina a
emenda 29.
Pela emenda 29, a União deve repassar 8,5% da sua receita
bruta para o setor. Até 2011, o percentual deverá chegar a
10%, o que deverá atingir R$ 23 bilhões. Já os Estados
deverão repassar 12% de sua arrecadação e os municípios 15%
para o setor da saúde.
Comentário db: A
necessidade de arrecadar está sempre acima de qualquer
projeto de redução de gastos. Dinheiro para os "urubus"
nunca falta. Como temos muita experiência neste assunto, o
dinheiro vai para o caixa único do tesouro e some, seja via
cuecas, presentinhos, cartões corporativos, ou mesmo
distribuição de renda para os amigos.
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